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8 de Maio de 2021

Impeachment Dilma. As melhores pérolas dos deputados para justificarem o voto

"Pela paz de Jerusalém”, chegou a gritar um dos deputados.

Lauro Chamma Correia, Operador de Direito
Publicado por Lauro Chamma Correia
há 5 anos

Impeachment Dilma As melhores prolas dos deputados para justificarem o voto

(Cartoon de André Farias)

Pela paz em Jerusalém, pelos maçons do Brasil, pela nação evangélica, pelos militares de 64. Pelos pais, pelos filhos e pelos netos, os que já existem e os que “estão chegando”. A votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff durou mais de cinco horas e teve de tudo: gritos de apoio, cuspidelas, insultos e justificações um tanto ou quanto fora do guião. No final, o “tchau, querida” acabaria por vencer ao “não vai ter golpe” com 367 votos a favor da destituição de Dilma Rousseff e os parlamentares festejaram como se o Brasil tivesse vencido a “Copa”. Para a história de uma noite quente ficam algumas das maiores pérolas dos deputados.

Deus está pelo “sim”

O nome de Deus foi invocado quase até à exaustão pelos deputados que foram votando a favor da destituição da Presidente Dilma Rousseff.

Foi o caso de Marco Feliciano, deputado do PSC-SP. “Com ajuda de Deus, pela minha família e pelo povo brasileiro, pelos evangélicos da nação toda (…) e dizendo tchau ao PT, partido das trevas, eu voto sim!”. Ou de Delegado Waldir, do PR-GO. “Pelo meu país, por Deus, por minha família, pelas pessoas de bem. O meu voto é sim! Fora Dilma, Fora Lula, fora PT!”.

Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados do país, a contas com o “Lava Jato” e o homem que, paradoxalmente ou não, está a liderar o processo de impeachment, votou ao lado do ‘sim’. Mas não sem antes deixar um apelo divino: “Que Deus tenha misericórdia desta nação”.

Glauber Braga, deputado do PSOL-RJ, tinha a resposta na ponta da língua. Se Eduardo Cunha invocava Deus, Braga lembrava o seu oposto. “O que dá sustentação à sua cadeira cheira a enxofre [disse o deputado, dirigindo-se a Eduardo Cunha]. Eu voto por aqueles que nunca escolheram o lado fácil da história. Eu voto não”.

Luiz Sérgio, deputado PT-RJ, que votou contra o impeachment de Dilma, não deixou de notar a quantidade de vezes que os anti-Dilma invocaram o nome de Deus. “Quero deixar registado que nunca na minha vida eu ouvi tantas vezes usar o nome de Deus em vão, como se fosse um panfleto”.

Mas seria o Sensacionalista, uma publicação satírica brasileira, a resumir, com ironia, os momentos que se viveram durante a votação na Câmara.

Após ser citado por todos deputados pró-impeachment, Deus será investigado pelo Ministério Público“. A brincadeira servia de título à publicação, que aproveitava para citar um delegado fictício. “Já conseguimos com o doutor Sérgio Moro mandatos para revistar os gabinetes de três desses deputados e achamos vasto material com o nome desse tal ‘Deus’, inclusive livros enormes com capa de couro. Vamos mandar para a perícia”

A homenagem ao homem que torturou Dilma – e a cuspidela. “Durma com essa, canalhas!”

Acabaria por ser um dos momentos mais delicados da noite. Pouco antes de votar, Jair Bolsonaro, o ultraconservador que se arrisca a ser o Donald Trump brasileiro nas próximas eleições presidenciais, lembrou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do órgão de repressão política da ditadura e o único militar indiciado pela Justiça brasileira pelo crime de tortura. Foi a homenagem ao “pavor de Dilma”, diria Bolsonaro – a Presidente do Brasil, então uma jovem estudante que lutava contra o regime, foi torturada pela polícia militar.

“Nesse dia de glória para o povo tem um homem que entrará para a história. Parabéns pelo presidente Eduardo Cunha. Perderam em 1964 e agora em 2016. Pela família e inocência das crianças que o PT nunca respeitou, contra o comunismo, o Foro de São Paulo e em memória do coronel Brilhante Ulstra, o meu voto é sim.”

Jean Wyllys, deputado do PSOL-RJ, e um dos rostos dos direitos LGBT no congresso brasileiro, acabaria por não perdoar. “Em primeiro lugar estou constrangido de participar dessa farsa, dessa eleição indireta conduzida por um ladrão [Eduardo Cunha]. Essa farsa sexista! Em nome dos direitos da população LGBT, do povo negro e exterminado das periferias, dos trabalhadores da cultura, dos sem teto, dos sem terra, eu voto não ao golpe! E durma com essa, canalhas!”

Depois da sua intervenção, Jean Wyllys foi, alegadamente, insultado de “veado”, “queima-rosca”, “boiola” e outras ofensas homofóbicas e acabou por tentar cuspir na direção de Jair Bolsonaro. No Facebook, justificou-se assim:

Impeachment Dilma As melhores prolas dos deputados para justificarem o voto

Pelo pai, pelo filho, pelo que vai nascer, pelo neto, pelo bisneto… pelo “fim da vagabundização remunerada”

Entretanto, o jornal brasileiro Estadão deu eco a uma lista que vai circulando nas redes sociais com os motivos mais absurdos usados pelos pro-impeachment. Houve quem lembrasse o “aniversário da neta”, os filhos “Bruno e Felipe” ou a “filha Manoela que vai nascer”. Mais completo ainda: “Pela Sandra, pela Érica, pelo Vítor, pelo Jorge, e por meu neto que está chegando”. O pai e a “mãezinha” também foram sendo lembrados.

Se Deus e a família já seriam motivos algo inusitados para justificar a destituição de um Presidente do Brasil, houve quem desse largas à imaginação – e a uma chuva de confetis. O melhor mesmo é ver a lista dos motivos mais estranhos:

  • “Pelos maçons do Brasil”
  • “Pelos produtores rurais, que se o produtor não plantar, não tem almoço nem janta”
  • “Pelo fim da vagabundização remunerada”
  • “Pelos médicos brasileiros”
  • “Pelo fim dos petroleiros, digo, do Petrolão”
  • “Pelo estatuto do desarmamento”
  • “Pelo comunismo que assombra o país”
  • “Pelo setor gerador de renda, o setor agropecuário”
  • “Em homenagem ao aniversário da minha cidade”
  • “Pela paz de Jerusalém”
  • “Pelo fim da vagabundização remunerada”

Curiosamente, o deputado Wladimir Costa (Solidariedade/PA) – ou o deputado dos confetis – foi o parlamentar que mais faltou em 2015: de um total de 125 sessões, Costa não esteve presente em 105 sessões. Ou seja, só marcou presença em 20 sessões.

E Tiririca? O ex-humorista que chegou a deputado prometendo que “com Tiririca, pior do que está não fica”? As expectativas eram elevadas, atendendo ao percurso do deputado, mas Tiririca acabou por ser um dos mais discretos da noite.

No final, com os apoiantes do “Tchau, querida!” a vencer a votação, os deputados anti-Dilma estavam eufóricos.

Observador

51 Comentários

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Só pra deixar registrado: a nossa excelentíssima Presidenta NUNCA LUTOU PELA DEMOCRACIA. O grupo que integrava quando estudante - como muitos à época - advogava a instalação no Brasil de uma Ditadura Comunista!!!
Só os "analfabetos políticos" (pra usar uma expressão que sai muito da boca do escroto do Jean Willis, além de cuspe, é claro...), simplistas e/ou levianos é que dizem que aquela terrorista sempre lutou pela Democracia..... continuar lendo

Apesar de tudo tenho que considerar a mais perfeita fala, a de Cunha "Que Deus tenha misericórdia desta Nação" continuar lendo

Gostaria de esclarecer ao Sr. Marcos Dominoni que a distinta presidente ou presidenta, como ela prefere ser tratada, não advogava a "instalação no Brasil de uma Ditadura Comunista!!!", mas sim devolver ao brasileiro a justa escolha de seus representantes. Acredito que o senhor, pela sua aparente juventude, obteve as informações de escritos realizados durante o regime militar. Quem realmente queria a instalação de um regime comunista era o senhor Luiz Carlos Prestes em sua "intentona comunista". Tanto o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, do qual participei em SP, bem como a Ação Libertadora Nacional, e a Frente Popular que junto com Jose Dirceu tomou a USP da Maria Antônia eram contrários ao movimento do Partido Comunista Brasileiro, rompendo com eles justamente por não aceitarem ser um satélite russo como Cuba. Quanto a ser terrorista gostaria de lembrar-lhe que a palavra não tem endereço fixo, reside sempre no lado contrario da parte vitoriosa. Como advogado que sois, deveria preocupar-se com as leis que estão para serem votadas e que jogarão na latrina comum os direitos trabalhistas tão arduamente conquistados. A excelentíssima presidente (a) era visceralmente contra, razão de sua deposição. continuar lendo

De fato, a luta armada das esquerdas o que visava era uma ditadura oposta à dos militares. Enfim, outra ditadura. Como em Cuba. Só isso. continuar lendo

Senhor Jorge Roberto da Silva, luta armada, atentado contra a segurança popular tem outro nome no dicionário de V.Sra.
Será que os jovens armados que tentam tirar a Polícia Militar do Complexo do Alemão só querem devolver a comunidade aos seus verdadeiros donos? Ou estão devolvendo ao povo das comunidades a justa escolha por seus representantes? continuar lendo

Ainda tiveram os escrotos que gritavam "pelos negros" ... como é que é? Quem vê a cúpula do PT deve pensar que está cheia deles ... deixe-me ver alguns: Dilma, Lula, Dirceu, Genoíno, Mercadante ...

Fora o grito de não a burguesia ... a tá, e todos voando de jatinhos (classe econômica que é bom nada) ... sei ...

Só mais uma faceta do discurso de ódio. continuar lendo

Me perdoe, mas afirmar que Dilma a guerrilheira assassina, era uma jovem estudante que lutava contra o regime e que teria sido torturada por Brilhante Ustra é inaceitável. A companheira de cela nega que Dilma tenha sido torturada, ou seja, é apenas a palavra de uma mulher mentirosa.
Salientando, que ela jamais lutou pela democracia e sim para a implantação do comunismo.
Guerrilheira assassina. continuar lendo

Assassina não sei, mas parece que foi sequestradora e assaltante de banco. A desculpa, na época, era contra o golpe, como hoje. continuar lendo

Mas não se esqueçam que ela foi eleita democraticamente, assim como Salvador Allende, Adolf Hitler etc continuar lendo

Ainda somos, desculpe pela honestidade, analfabetos políticos pois continuamos á votar no marketing e nas benesses oferecidas a grande massa da sociedade.Existem diversas formas de se eleger em determinada comunidade: através das associações de bairros, Padres e Pastores pedindo votos para determinado candidato, radialistas que aproveitam sua audiência para beneficiar seus pares entre outras classes de grande importância principalmente a classe EMPRESARIAL Agora cobrar com mesmo vigor suas promessas de campanha é outra história. Se não mudarmos o sistema de representação incluindo o voto distrital e diminuindo o número de siglas partidárias, vamos continuar sofrendo e lamentando. continuar lendo